Em maio, descobri um nódulo na tireoide.

No começo, tentei não pensar demais. Fiz o que precisava ser feito, procurei os médicos, realizei os exames e segui as orientações. Mas vieram as punções. Uma, duas, três. E todas inconclusivas.
Quem já passou por um câncer sabe que algumas palavras têm um peso diferente para nós.
Há 13 anos tive câncer de mama. É uma história que faz parte da minha vida e que, felizmente, ficou para trás. Mas diante de um novo nódulo e de resultados que não traziam uma resposta definitiva, foi impossível não sentir medo.
Por fora, a vida continuava.
Eu fazia minhas coisas, conversava, viajava, criava conteúdo, pensava nos meus projetos. Mas havia uma preocupação ali, ocupando um espaço muito maior do que eu gostaria de admitir.
Percebi que comecei a adiar coisas.
Não conseguia fazer planos de verdade. Começava alguma coisa e não concluía. Pensava no futuro e logo vinha aquele pensamento: “Primeiro preciso saber o resultado”.
Era como se a minha vida estivesse esperando uma resposta para poder continuar.
Depois das três punções inconclusivas, fiz um teste molecular. E novamente veio a espera.
Até que finalmente chegou o resultado: negativo.
É difícil explicar o alívio que senti.
A primeira coisa que pensei foi: graças a Deus.
E depois percebi o quanto aqueles meses tinham mexido comigo. Não era somente a preocupação com a minha saúde. Era viver com uma possibilidade que eu não conseguia controlar.
Talvez tenha sido isso que mais me impactou: perceber como a incerteza pode nos paralisar.
Eu, que falo tanto sobre sonhos, recomeços, projetos e sobre tudo o que ainda podemos viver depois dos 50, me vi sem conseguir olhar muito adiante.
E tudo bem reconhecer isso.
Nem sempre conseguimos ser fortes, produtivas e otimistas o tempo inteiro. Existem momentos em que simplesmente fazemos o que conseguimos enquanto esperamos a vida nos dar algumas respostas.
Hoje escrevo este texto de um lugar diferente.
Estou tranquila.
Agradecida a Deus pelo resultado e por poder olhar novamente para os meus planos com entusiasmo.
Tenho viagens pela frente, projetos que quero tirar do papel, ideias que ficaram pela metade e uma vontade enorme de continuar vivendo tudo aquilo que venho sonhando.
Talvez eu retome algumas coisas de onde parei. Talvez outras já nem façam mais sentido.
Mas uma coisa eu sei: quero seguir.
Com mais gratidão, mais consciência da fragilidade da vida e, ao mesmo tempo, com ainda mais vontade de vivê-la.
Aos 57 anos, continuo tendo sonhos. Continuo querendo descobrir lugares, começar projetos, mudar de ideia, experimentar coisas novas e me permitir recomeçar quantas vezes forem necessárias.
Os últimos meses me lembraram de algo que às vezes esquecemos no meio da correria: fazer planos também é um privilégio.
E hoje eu quero voltar a fazê-los.
Sem saber exatamente o que vem pela frente — porque ninguém sabe.
Mas confiando.
Agradecendo.
E seguindo.
Se Deus quiser, agora vamos em frente. 🤍
Ana
Ana 50+
