
Eu sempre gostei de fazer planos.
Pensar no que vem pela frente, organizar as coisas, imaginar como quero que elas aconteçam. E talvez por isso seja tão difícil quando a vida resolve seguir um caminho diferente daquele que eu tinha desenhado.
A gente planeja uma coisa e acontece outra. Espera uma resposta que demora. Cria uma expectativa e ela não se confirma. Tem certeza de que alguma coisa vai acontecer de determinada maneira… e, de repente, tudo muda.
E eu confesso: ainda estou aprendendo a lidar com isso.
Depois dos 50, a gente fica mais paciente?
Eu achava que sim.
Afinal, já vivemos tanta coisa. Já passamos por situações que pareciam enormes e depois ficaram para trás. Já vimos planos darem errado e, algum tempo depois, entendemos que talvez aquele não fosse mesmo o melhor caminho.
Mas descobri que maturidade não significa ter paciência o tempo inteiro.
Às vezes, é justamente o contrário.
Depois dos 50, a gente passa a ter uma consciência muito maior do tempo. Queremos viver, realizar planos, conhecer lugares, começar projetos, aproveitar oportunidades.
E quando alguma coisa demora mais do que gostaríamos, bate aquela inquietação:
“Mas eu queria que fosse agora.”
Eu conheço bem essa sensação.
Nem tudo depende da gente
Talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de aceitar.
Podemos fazer a nossa parte. Podemos nos organizar, trabalhar, insistir, tentar novamente, mudar a estratégia.
Mas existem coisas que simplesmente não conseguimos controlar.
O tempo do outro.
Uma resposta.
Uma oportunidade.
Um imprevisto.
Uma mudança de planos.
E gastar energia tentando controlar aquilo que não está nas nossas mãos só aumenta a ansiedade.
Estou tentando aprender a diferença entre desistir e esperar.
Porque esperar não significa necessariamente ficar parada.
Às vezes, significa continuar fazendo a nossa parte enquanto aquilo que não depende de nós encontra o seu caminho.
Paciência também é continuar
Durante muito tempo, associei paciência a ficar esperando alguma coisa acontecer.
Hoje vejo de outra maneira.
Ter paciência pode ser continuar vivendo enquanto esperamos.
É não colocar a vida inteira em suspenso porque um plano ainda não deu certo.
É aproveitar o dia de hoje mesmo tendo alguma coisa pendente para amanhã.
É aceitar uma mudança de rota sem achar que tudo deu errado.
E, principalmente, é entender que um atraso não significa necessariamente um “não”.
Ainda estou aprendendo
Não escrevo isso porque descobri uma fórmula para lidar com a ansiedade ou porque agora consigo aceitar tranquilamente tudo aquilo que foge dos meus planos.
Muito pelo contrário.
Estou escrevendo porque estou vivendo isso.
Ainda quero resolver algumas coisas logo. Ainda crio expectativas. Ainda fico impaciente quando algo não acontece no tempo que imaginei.
Mas tenho tentado me lembrar de uma coisa:
nem tudo precisa acontecer hoje para ainda poder acontecer.
Talvez algumas coisas precisem de mais tempo.
Outras, de uma mudança de caminho.
E algumas talvez nem aconteçam — e a vida nos apresente algo completamente diferente no lugar.
Aos poucos, estou aprendendo a esperar um pouco mais.
Sem desistir dos meus planos.
Sem deixar de sonhar.
Só respeitando um pouco mais o tempo das coisas.
E você?
Você sente que ficou mais paciente depois dos 50 ou, justamente por valorizar mais o seu tempo hoje, ficou ainda mais impaciente?
Quero muito saber como você lida quando as coisas não acontecem no tempo que gostaria. Conte nos comentários. Talvez a sua experiência ajude outra mulher que também esteja vivendo uma fase de espera.